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Receita para matar hospitais, por Marcelo Caixeta - médico psiquiatra Depois de 20 anos ajudando voluntariamente a diretoria de um hospital
filantrópico que atende crianças
deficientes, venho a público dizer, para felicidade de muitos, que essa
instituição começa a fazer água: há dois meses ficamos sem uma enfermeira universitária, e há um
mês
ficamos sem um médico. Como disse, autoridades e mesmo parentes não se importam com a morte dos doentes, pois, para eles,"doente mental enche o saco mesmo". Infelizmente, muitas famílias, pobres e ricas, inconscientemente, acabam orcendo para que o doente morra, para ficarem livres de um problema que não é igual ao câncer, que não incomoda o utro: a maioria das doenças mentais incomoda, e muito, os outros, a ponto de todos ficarem com raiva do oente, acharem que ele está aproveitando, manipulando, fazendo chantagem etc. E quando morrem de suicídio ou entrando debaixo de ônibus, afogando-se nos rios, como andarilhos na beira de estradas, a mil por hora entro de carros ou motos, de cirrose ou com o nariz enterrado no pó branco, ninguém fala que a causa da morte foi a doença mental; doença mental não sangra, não aparece em estatísticas. Como disse no início, mesmo ratando de crianças doentes, pobres, deficientes, há muitos que querem nosso fechamento: em primeiro lugar estão aqueles que mamam nas tetas governamentais e têmódio das instituições privadas, sobretudo daquelas que funcionam. Engraçado é que, justamente estes que querem fechar hospitais, recentemente foram à mídia denunciar, por exemplo, a Prefeitura de Goiânia por"sucatear" as instituições psiquiátricas (há algum tempo quiseram dar uma de "bonzinhos", fechando"manicômios horríveis que só visam lucro" e agora, em apuros, vendo que os doentes não têm vagas e estão nas ruas, querem, de novo, enganar a população posando de "salvadores e defensores dos doentes mentais").
Estudo do IPEA analisa a pobreza no Brasil "O Brasil não é um país pobre, mas um país extremamente injusto e desigual, com muitos pobres", é o que diz o estudo "A Estabilidade Inaceitável: Desigualdade e Pobreza no Brasil" do IPEA - Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada. Segundo dados da pesquisa, em 1999 havia 14,5% da população brasileira vivendo em famílias com renda inferior à linha de indigência e 34,1%, com renda inferior à linha da pobreza. Isso corresponde a 22 e 53 milhões de pessoas respectivamente. Comparado ao ano anterior, houve um pequeno aumento: em 1998 havia 21,7 milhões de indigentes e 50,3 milhões de pobres. No entanto, se analisarmos a renda per capita do Brasil com a de outros países, não podemos considerá-lo um país pobre: a comparação internacional quanto a renda per capita coloca o Brasil entre o terço mais rico dos países do mundo. Apenas 36% dos países do mundo possuem renda per capita superior a do Brasil mas o seu grau de pobreza é significativamente superior à média dos países com renda per capita similar à brasileira. A população pobre do Brasil representa 30% de sua população total, enquanto em países com renda per capita similares esse número é de 10%. De acordo com essa comparação, o Brasil deveria ter apenas 8% de sua população na linha da pobreza. Esses dados demonstram que a origem da pobreza do Brasil não está na falta de recursos mas na má distribuição dos recursos existentes. Poucos detêm muito e muitos não detêm quase nada. A renda média dos 10% mais ricos do país é 28 vezes maior do que a renda média dos 40% mais pobres. Nos EUA, por exemplo, a proporção é de 5 vezes; na Argentina, 10 vezes e na Colômbia, 15 vezes. A conclusão é de que o enorme grau de desigualdade na distribuição de renda, praticamente estável nas duas últimas décadas, constitui-se como o principal determinante da pobreza no país. As políticas de combate à pobreza adotadas pelo Governo não são eficazes na medida em que apenas visam o crescimento econômico. Uma estratégia adequada seria unir políticas de estímulo ao crescimento econômico, ao crescimento da renda per capita e à melhor distribuição da renda. Fonte: Estudo "A Estabilidade Inaceitável: Desigualdade e Pobreza no Brasil" - Barros, Ricardo Paes de; Henriques, Ricardo; Mendonça, Rosane - IPEA - 2001 |